Professora Maria Perpétua Teles Monteiro
mperpetuatm@yahoo.com.br

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Prática pedagógica do Professor de Língua Portuguesa

Durante o Curso de Prática do Ensino da Língua Portuguesa, Pólo Caruaru, solicitamos aos professores cursistas que refletissem sua prática. Obtivemos como resultado algumas produções:
O QUE É SER PROFESSOR DE PORTUGUÊS?
MARIA DO SOCORRO VÂNIA MUNIZ FURTADO

Justificativa

Literatura de Cordel
É poesia popular
É historia contada em versos
Em estrofes a rimar
Escrita em papel comum
Feita pra ler ou cantar.

A capa é em xilogravura
Trabalho de artesão
Que esculpe em madeira
Um desenho com poção
Preparando a matriz
Pra fazer reprodução.

Os folhetos de cordel
Nas feiras eram vendidos
Pendurados num cordão
Falando do acontecido,
De amor, luta e mistério,
De fé e do desassistido.


A minha literatura
De cordel é reflexão
Sobre o que é ser professor
De português eis a questão
È valorizar a cultura
E também a educação.

Não trata de outros temas:
Da luta do bem contra o mal,
Da crença do nosso povo,
Do hilário, coisa e tal
Mas trata de ser professor
agora no momento real.
O QUE É SER PROFESSOR?
Professor pode ser velho
Ou estar na mocidade
Pode ser gordo ou magro
Magistério ou faculdade
Pouco importa a formação
O que manda é a emoção
De ensinar a mocidade.

No início não era assim
Tinha outra forma de pensar
Minha mãe me obrigava
Mas eu não gostava de ensinar
Até mesmo o magistério
Eu não queria estudar

Para mim era um tormento
Se nisso tinha que pensar
mas como iria viver?
Não tinha em que trabalhar.
Tinha que fazer o curso
Senão iria apanhar.

Terminei o magistério
Quase chegando ao final
consegui o que esperava
Um trabalho afinal
Que não foi de professora
Foi de comunicadora
Na prefeitura municipal

Passei um ano e seis meses
Trabalhando no DETELPE
Era um serviço legal
Mas sem muita animação
E o pior é que o danado do órgão
Aqui na minha cidade
Fechou a comunicação.

Deus torceu pra me formar
Com sua iluminação
E assim que terminei
Estava com o contrato na mão
Assinei de má vontade
Dizendo até a direção:
Vou assumir esse cargo
Mas gostar não gosto não.

Entrei na sala de aula
Para mim foi um tormento
Já pensei logo de cara
Meu Deus isso eu não agüento!
Se lhe fiz algum pecado
Peço perdão e lamento.

Nessa luta eu passei
Oito anos da minha vida.
Depois chegou o momento
Já estava decidida
Ensinar não queria mais.
Pedi demissão do cargo
Eis a minha despedida.

Todo começou a mudar
Quando mudei de cidade
E em outra fui trabalhar
Depois de certo tempo
Inventei de me casar.

O casamento deu certo
Graças a Deus ainda dá
Foi depois do casamento
Que o caldo começou a entornar
Mudei até de estado
E o que sabia fazer?
Lá tive de ensinar.

De novo na sala de aula,
De uma forma diferente,
Não ensinava a criancinha,
Mas sim a adolescente.
Não é que me apaixonei
E sou feliz Por ser docente?

Hoje me sinto orgulhosa
De ser uma professora.
Gosto de minha disciplina
Dela quero ser doutora.
Pretendo me aposentar
Na função de professora.

Não me vejo lecionando
Em qualquer outra disciplina
Ensinar português
Sei que é a minha sina
Não é uma disciplina fácil
Mas o gosto me domina.



Nela estou sempre aprendendo,
Aprendendo e ensinando,
Ensinando e refletindo,
Refletindo, investigando.
Assim eu vou descobrindo,
Descobrindo e perguntando.

Nada me faz parar
A vontade de querer,
De querer e querer mais.
Querer sempre mais saber
Do mundo e coisas do mundo
Aprender e me prender.

Se um dia eu aprendi
Aprendi a ser professora,
Professora da juventude
Que é inquieta e sem amor
À prática de estudar
Que me causa até pavor.

É porque sei como é o aluno,
às vezes é preguiçoso,
desligado e remanchão.
Em outras é curioso,
insistente, inteligente,
persistente e buliçoso.

Mas ninguém pode duvidar
Que o futuro da nação,
Pertence ao estudante
Não pode haver discussão.
Por isso que eles se acham
Os donos da situação.

Vou concluir meu trabalho,
Já não sei mais o que falar.
Se for contar minha história,
Nunca mais vou acabar.
A vida de professora
Sempre vai me alegrar.

Deixo um abraço à professora,
Junto com minha admiração.
Na classe de educador,
A senhora tem vocação.
Nunca vi mulher tão forte
E segura da sua missão.

O meu nome é Maria
Do socorro vem depois,
Vânia é meu apelido
O Muniz sabe Deus como foi!
Mas o sobrenome é Furtado
E que Deus lhe abençoe!


O GÊNERO CORDEL


O termo literatura de cordel foi utilizado originalmente por Sílvio Romero (SANTOS, 2006, p. 60), pautado no uso do já difundido cordel, em virtude do cordão que costumava amarrar os folhetos quando estes estavam expostos à venda. Embora o título de primeiro cordelista brasileiro ainda seja disputado, todos os estudiosos da área concordam quanto ao fato de Leandro Gomes de Barros ter sido o pioneiro na publicação sistemática desta produção.
Embora as primeiras criações tenham sido produzidas na Europa e, sem
dúvida, influenciado a produção brasileira, autores como Abreu (1999, p. 105)
defendem que o cordel brasileiro desenvolveu características próprias, como o texto em verso, além de regras próprias quanto à rima, à métrica e à estruturação do texto.
Funcionando no século XIX como o meio de comunicação mais eficiente para
os que viviam longe dos grandes centros, sendo capaz de levar notícias aos lugares mais remotos, a literatura de cordel sempre foi vista como incapaz de sobreviver aos adventos da tecnologia, mas eis que, em pleno século XXI, pode ser encontrada em sites voltados apenas para este tipo de produção havendo, inclusive, cordelistas que existem apenas no mundo virtual, sem jamais ter imprimido sequer um folheto.


JEITO PARA SER PROFESSORA
SIMONE PEREIRA DE MELO SILVA


- Faça magistério, filha. Você tem jeito para ser professora.
- Eu? Jeito para ser professora?
Filha de educadores amantes da profissão, era de se esperar que Simone ouviria isso após terminar o primeiro grau. Então, ela não compreendia por que esse espanto todo que sentiu ao ouvir essa “sugestão” (=pressão). O problema estava, na realidade, em que nunca havia se visto uma professora, nunca reconhecera em si um futuro na docência. Não sabia o motivo, era tão natural ver os pais em casa comentando as experiências de sala de aula, o afeto que experimentavam em relação aos alunos, o reconhecimento da comunidade rural onde trabalhavam, os prêmios que receberam pelos serviços prestados... tudo bem, mas ELA, professora??????
-NUNCA!!!!!!!!
Entretanto, depois do mês de janeiro inteiro escutando a mesma conversa, o NUNCA não foi páreo para o:
- Você será uma excelente professora.
- Que nada!
- Ensinar é maravilhoso!
- Será?
- Olha, se você não se identificar, troca de curso.
- Quem sabe...
- Mas tenta
- Hum...
E as várias exclamações do NUNCA se transformaram em reticências, que foram se dissipando até se tornarem um ponto final:
- Tá bom.
Matrícula feita, início das aulas, o de sempre.
Simone começou a escutar historias bonitas.
Da missão do educador.
Do compromisso com o exercício do magistério.
Começou a conhecer pessoas que dedicaram sua vida à pesquisa educacional, à docência...
Vigotsky, Piaget, Gardner, Wallon, Paulo Freire...
Que vontade de seguir seus exemplos…
Passou-se o ano e no ano seguinte, prova de fogo:
AULA DE ESTÁGIO
“Meu Deus, o que farei?”, pensava ela.
Ao chegar à escola, procurou a professora titular que lhe disse:
- Coitada, foi escalada para a pior turma da escola, cheia de cãezinhos.
Simone se assustou: era de crianças de primeira série que ela falava?
Ao entrar na sala, muito assustada, contemplou várias crianças alegres, traquinas, com energia de sobra. Sentada perto deles, Simone pode conversar e observou que a maior carência daquelas crianças era de atenção e afeto. Já naquele primeiro contato, aqueles pequeninos a apaixonaram, que decidiu fazer de tudo para ajudá-los a encontrar o caminho da aprendizagem. E esse contato semanal com aquelas crianças era ansiado, desejado, estimado. Aquelas crianças eram maravilhosas, por que a professora dissera que eram uns cãezinhos? Simone constatou: nem todo professor tinha jeito para ser professor.
Ela definitivamente não queria seguir esse exemplo. Só seria professora se realmente aquela atividade lhe desse prazer.
É. Mas será que, com efeito, tinha jeito para ser professora?
Depois de três anos, já “formada”, Simone resolveu arriscar: pegou uma turma de alfabetização em uma escolinha particular.
Logo ao chegar, toda animada, percebeu a desaprovação das mães ao saber que seria ela a professora dos seus filhos:
- Essa criança!? Ela não tem jeito para ser professora!
Foi o primeiro baque, de muitos que enfrentaria aquele ano:
- Ela é muito inexperiente.
- Não tá vendo que ela não vai conseguir ensinar as crianças a ler?
- Vou tirar o meu filho dessa escola se você, diretora, não trocar essa professora.
- Simone, me ajuda, os pais estão me pressionando a tirar você dessa escola. Por favor, não deixe que eu me arrependa de tê-la contratado.
Essa pressão fazia com que todo dia Simone chegasse à escola pensando em desistir. Mas ao pegar na mãozinha daquelas crianças para fazer a tarefinha junto com elas, ao contar uma historinha e ver seus olhinhos brilhando, a ajudá-las a conhecer melhor o mundo que as cerca, todo aquele ímpeto de abdicar se transformava em uma veemente vontade de seguir em frente, de ir até o fim.
Nesse processo também cometeu alguns erros. Algumas idéias que tinha, ao serem aplicadas na turma, não davam certo. Simone leu muito, pesquisou, conversou com seus pais e outros professores mais experientes. Mudou de direção até perceber que suas decisões estavam surtindo efeito. Percebeu que todo dia em sala de aula é um desafio novo.
Nesse vai-e-vem de equívocos e correções, terminou o ano letivo. E aquelas criancinhas que não sabiam pegar no lápis já contavam de 1 até 50, já liam pequenos textos, já conheciam muitos direitos e deveres como cidadãos que eram.
No último dia de aula, com o coração apertado e lágrimas ameaçando embaçar a sua visão, Simone olhava para cada rostinho e já sentia saudade. Pediu então que cada criança fizesse uma mensagem de natal para uma pessoa da qual gostasse muito.
Letícia, uma linda garotinha que contava apenas 5 anos, cuja mãe foi uma das mais fervorosa opositora do seu trabalho docente, terminou primeiro. Aquela criança que nem mesmo conhecia uma letrinha no inicio do ano letivo levantou-se, chegou até Simone e colocou em sua mão uma cartinha em formato de coração, pintada de giz de cera.
Simone abraçou-a e beijou-a com muito carinho:
- Que lindo, Letícia. Parabéns! E ao abrir a cartinha, estava escrito:

Tia eu ti(sic) amo do fundo do meu coraÇão

Com o coração querendo saltar do peito e as lágrimas rolando, já incontroláveis, Simone pensava:
“Valeu a pena! Valeu a pena!! VALEU A PENA!!! ”
O sentimento de alegria imensurável que sentiu transbordou em um grandioso sorriso:
“E não é que ela tinha jeito para ser professora mesmo?”
A partir daí realmente tomou a decisão de fazer da docência a sua missão de vida.
E por essa decisão surgiram muitas outras histórias... de sorrisos, de lágrimas, de aparentes sucessos e derrotas, mas sempre uma história essencialmente de amor.

3 comentários:

claudia cardinale disse...

estou no 7° semestre e até agora nada de emprego
fico as vezes um pouco triste por ter escolhido essa profissão minhas amigas estão todas trabalhandoo eu não quero ser essa pessoa fote em sala de aula porque e a minha missão.

claudia cardinale disse...

tenho tantos sonhos e não me dão oprtunidade
até parece que essas professoras não passaram o que estou passando portas fechadas quero que se abram no prirlim pim pim quero meu lugar ao sol
que brilha tenho talentos acredite

Maria Perpétua Teles Monteiro disse...

Oi, Claúdia!
Olha educação não é uma ativividade fácil, mas vale a pena quando compreendemos que efetivamente ajudamos a construir uma sociedade melhor quando assumimos o compromisso de respeitar as pessoas. Seu tempo chegará, certamente, não desista, seleções e concursos virão esteja preparada, faça a sua hora agora.
muitas bençãos!!!