Professora Maria Perpétua Teles Monteiro
mperpetuatm@yahoo.com.br

domingo, 4 de maio de 2008

A TRAIÇÃO DAS IMAGENS

O que é, o que é? Um quadro: Os dois mistérios. Imagens Falam? Sigam as nuvens de fumaça... Que nuvens... Que fumaça? Fumaça de quê?

René Magritte -Les Deux Mystéres, 1966
O QUE VOCÊ ESTÁ VENDO?
UM CACHIMBO...UM CACHIMBO NO AR...UM CACHIMBO NO AR?

O que a imagem de magritte lhe sugeriu? Seja qual for a idéia, com certeza essa impressão e as seguintes serão influenciadas por conhecimentos anteriores. O cachimbo só poderia ser compreendido por quem já havia visto um. Do mesmo modo só quem já sentiu o cheiro do fumo poderia atualizar esse odor e quase senti-lo. Nosso olhar debruçado sobre uma obra é fruto de uma história pessoal e única, vivida em determinada sociedade, época e cultura. A sua primeira impressão, fruto de suas referências pessoais e culturais, pode ter sido ampliada pelas referências dadas logo abaixo, por colegas, etc. É possível que você tenha visto com estranheza o cachimbo no ar. Por que estaria ali, voando? Como seres humanos procuramos critérios e princípios para compreender o que vemos. Foram os gregos que primeiro se preocuparam em compreender o princípio da representação, traduzido pelo naturalismo que a obra apresentava fruto da habilidade do artista. Esse princípio se fundamentava no conceito de mimese (do grego mimesis), que significa “imitação". Com o tempo a imitação foi ganhando um sentido que dominou o pensamento ocidental sobre as artes visuais: o seu caráter de réplica exata. Para o filósofo grego Platão, cabia aos homens apenas a produção de mimeses, simulacros, mera aparência, pois a criação perfeita seria possível apenas para o Demiurgo, o Deus que cria o universo. Para Aristóteles, discípulo de Platão, o conceito de mimese estava ligado à idéia de reprodução seletiva. É como se o artista, com sua techné, buscasse o mais característico de uma pessoa ou coisa, criando um realismo sublinhado. Porém, quando o leitor, mesmo uma criança, lê a cena, seleciona atribuindo significados. A arte, pois, não imita, recria. Ela cria algo novo porque não é cópia ou pura reprodução, mas a representação simbólica de objetos e idéias. Ainda hoje, resistimos à obra de arte que não reproduza o mundo visível. Talvez por isso você tenha estranhado o cachimbo voando. Um outro aspecto que pode ter chamado sua atenção: dentro da moldura está escrito em francês: Ceci n'est pas une pipe, ou seja, "Isto não é um cachimbo". Podemos pensar, então que é outra coisa? Um berrante? Uma tromba de elefante? Um sifão de pia? Um bico de chaleira? Sob essa lógica, quando entendemos a representação artística somente como uma cópia do mundo real e porque isto não é um cachimbo, vamos tentando adivinhar, atribuindo outros significados àquela forma, mesmo sendo de um cachimbo. Magritte nos provoca uma reflexão sobre essa lógica comumente usada, quando cria em seu quadro a ambigüidade entre a imagem e a palavra. Observando mais atentamente, vemos um quadro dentro de um quadro. Esses indícios vão dando pistas para que possamos encontrar os possíveis significados da obra. A leitura desses indícios podem nos levar a múltiplas interpretações. Magritte foi o pintor surrealista que mais aprofundou a questão da ambigüidade entre imagem e palavra. Entre 1928-29 e 1966 Magritte produziu a série de obras ISTO NÂO É... Chamada por ele “A traição das imagens". O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) escreveu um livro discutindo os enigmas do quadro: Isto não é um cachimbo, que apresenta semelhanças com os dois mistérios. Neste estudo Foucault constata que há dois cachimbos. Um deles se mostra aprisionado com sua legenda na superfície claramente delimitada de um quadro emoldurado. Considerando a obra como pintura, as letras são apenas as imagens das letras, eternizadas pela obra de arte. Considerando a figura como quadro-negro, ela é apenas a continuação didática de um discurso, a lição do mestre que apresenta a imagem e seu enunciado. A letra caprichada do calígrafo, do professor, entretanto, não confirma o que também estamos habituados a ver em muitos quadros-negros e em cartilhas e livros: "Isto não é um cachimbo. Na verdade "Isto é um desenho de um cachimbo". Há oposição entre a flutuação não localizada do cachimbo do alto e a situação definida no cachimbo de baixo. É a mesma ambigüidade que há entre a linguagem imagética e a linguagem escrita. Afirmação e negação, oposição e cumplicidade. Pensamentos tornados visíveis. Magritte parece querer discutir a representação na arte, e o fez pela metalinguagem. Ele atualiza a discussão sobre mimese, sobre o modo simbólico do pensar a arte.

ISTO NÃO É UM CACHIMBO foi o que Magritte escreveu abaixo da gravura. Sobre isto ele mesmo falou: "O famoso cachimbo... Como fui censurado por isso! E, entretanto... Vocês podem encher de fumo meu cachimbo? Não, não é mesmo”? Portanto, “se “eu tivesse escrito sob meu quadro:” Isto é um cachimbo”, eu teria mentido. (apud Foucault, 1988)
Bibliografia

MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias. Didática do Ensino de Arte: a língua do mundo - poetizar, fruir e conhecer.São Paulo: FTD, 1998.

FOUCAULT, Michel. Isto não é um cachimbo. Rio de janeiro. Paz e Terra, 1988.

ACESSE:

http://www.ucm.es/info/especulo/numero27/magritte.html

OFICINA E HISTÓRIA DAS MÁSCARAS

AS MÁSCARAS NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

Realizamos, com os alunos dos primeiros anos, uma oficina de arte onde conhecimentos teóricos e práticos foram adquiridos sobre a presença e importância das máscaras na História da humanidade e em nossas vidas.
A atividade foi organizada em três etapas: fundamentação teórica, atividades práticas(confecção) e tempestade de idéias(discussão, dramatização e emprego social da máscara no sentido denotativo e conotativo)
Considerando o momento de mudança do prédio da equipe CEEG a atividade foi realizada às vezes na sala de aula, outras no pátio, outras na quadra. As fotos disponibilizadas apresentam atividades das diferentes turmas.
1ª ETAPA - Fundamentação teórica sobre a História das máscaras. Destacamos com maior ênfase os povos indígenas, africanos, greco-romanos(por se tratarem de conteúdos do 1ª ano) e a máscara na cultura brasileira.

As máscaras sempre estiveram presentes em todas as culturas de todos os tempos.A utilização de máscaras pelos povos primitivos centrava-se no imaginário dos rituais. De lá para cá, foram surgindo muitas outras faces, com cores, materiais, técnicas e formatos diferentes.Na África, elas são esculpidas em madeira e pintadas. Já os índios americanos fazem-nas de couro pintado e adornos de penas.Na Oceania, são feitas de conchas e madeira e com madrepérolas incrustadas. Existe um tipo muito antigo de máscara que é aquela desenhada no próprio rosto com tintas especiais, maquiagens e pinturas. Este tipo é muito utilizado pelos índios e pelos africanos nos seus rituais religiosos, de guerra, festas , etc.
Na Antiguidade Clássica, a civilização grego romana utilizava as máscaras para as comemorações aos deuses depois criaram máscaras para as tragédias a as comédias. As principais cidades gregas e romanas tinham teatros de grandes proporções. No teatro medieval, os atores utilizavam as máscaras para encenar as moralidades, os autos e os mistérios. Temáticas centradas nas passagens da Bíblia e no temor ao céu e ao inferno davam origem a cenários bem desenhados, efeitos especiais de fumaça e fogo. Nesse universo sobrenatural, as máscaras representavam anjos ou demônios estilizados por seres aterrozantes com nariz de proco, cifres de boi, etc.

As máscaras também foram ricamente exploradas nas culturas orientais do Japão e da China. No Japão por exemplo, os atores usavam máscaras de madeira, cuja função era identificar os papéis dos personagens. Um dos mais belos exemplos da riqueza dessa arte é a ópera chinesa. Nesse espatáculo, dança, música e encenações estão intimamente ligados ao figurino e ás máscaras as quais eram pintadas no próprio rosto dos atores. As mulheres não podiam representar e até 1911, eram os homens que faziam os papéis femininos. Ainda existia o Teatro Cabúqui, no qual os elementos da natureza eram deuses e deusas interagindo com os mortais. Esta forma de espetáculo teatral, criada e representada pelas mulheres, tornou-se proibida por ser considerada leviana. Quando voltou a ser permitida, todos os personagens eram encenados somente por homens. Nesse espetáculo as cores e as formas têm simbologias especifica que caracteriza a personalidade e os sentimentos dos personagens. Veja alguns significados das cores na cultura oriental:o amarelo designa o calculista; o verde, o orgulhoso; o branco mate, a atraição;o negro, a lealdade e a honestidade; a prata, Buda e o sobrenatural; o vermelho, força e poder; o azul, coragem. As máscaras criadas com formas simples, representam os nobres; as com linhas assimétricas, os malvados.

No Renascimento, a busca pela sobrevivência e o fortalecimento da realeza levaram os atores a criarem as primeiras companhias de teatro profissional dando origem a uma nova forma de representação teatral a chamada Commedia dell'arte. Isto ocorreu na Itália e espalhou-se por diversos países. O ator substituiu os trovadores medievais e pela promeira vez as mulheres subiram ao palco. Foi uma revolução do popular que acabou prevalecendo sobre a escola Clássica do teatro romano. Nas apresentações os atores usavam figurino e máscaras apesar da igreja proibir. Os atores, rebeldes, continuavam a usá-las e por isso muitos tiveram sua línguas cortadas. Os personagens da Commedia dell'arte são característicos do carnaval, pois fazem uma crítica bem humorada a tipos característicos da sociedade. entre eles, os mais conhecidos são pierrô, arlequim e colombina.
Estas máscaras de carnaval chegaram ao Brasil no século XIX, encarregadas de expressar mitos, crítica social, ironia em relação às dificuldades cotidianas, enfim, desejos do imaginário. Estas máscaras de cunho artístico encontraram no Brasil outras de caráter ritualístico, mágico-religio, introduzidas pelos cultos africanos. As máscaras da África não traduziam a emoção do indivíduo; não era o retrato do homem que teme, que combate, que morre, mas era, sim, o próprio temor, a guerra, a morte. As máscaras usadas em rituais primavam pela intensa expressividade e serviam como mediação entre a esfera sobrenatural e a natural. Estas só podiam ser produzidas com autorização do chefe religioso por um escultor iniciado na magia e que antes submetia-se a um rito de purificação. Nem todas as madeiras eram utilizadas em razão das qualidades negativas atribuídas a determinadas plantas, nas quais habitariam os espíritos malignos, o que comprometeria a eficácia da máscara. Estas crenças chegaram ao Brasil através dos escravos e serviam para garantir a adaptação do indivíduo à comunidade.
Havia também as máscaras usadas pelos índios nas cerimônias de iniciação, culto à fertilidade e outras manifestações religiosas. Algumas representavam animais e forças da natureza, como raios, chuvas e trovões. A confecção destas máscaras era de caráter coletivo. O material usado, como cascas de árvores, resina e até madeira, eram considerados sagrados. Atualmente o folclore em geral por vezes resgata um pouco todas estas máscaras para caracterizar personagens e relembrar a história de uma comunidade. O folclore brasileiro, movimentado e plástico, utiliza as máscaras justamente para manter tradições; é uma espécie de memória histórica, que garante ainda o exercício da fantasia. O teatro também tem recriado as máscaras cada vez com mais freqüência. Para o homem de hoje, as máscaras deixaram de ter um sentido puramente mágico para assumir uma função de disfarce psicológico, possibilitando o anonimato, ou seja, é como se ele pudesse esconder sua verdadeira face e adquirir total liberdade em um mundo tão complexo.

2ª ETAPA - Confecção e pintura das máscaras.

Foram oferecidos aos alunos dois modelos: um de máscara para ser feita com atadura com gesso e outra com bola de sopro com papel picotado colado sobre a bola. Revisamos no momento, da pintura, os fundamentos sobre as cores e suas possibilidades de composição.
Máscaras com atadura de gesso
Materiais:
  • Atadura gessada(vendida em farmácias. Preço médio R$ 3,00)
  • Folhas de jornal ou papel manilha, revistas
  • Cola branca
  • Bacia com água
  • Massa corrida para interiores(não usamos)
  • Lixa
  • Tinta
  • A turma foi organizada em duplas. Os alunos foram orientados a cortarem a atadura em pequenos pedaços(4cmx2cm) e a mergulhar os pedaços numa bacia com água; a amarrarem uma fita no alto da testa para não sujar o cabelo; a cobrir o rosto do colega com a atadura, deixando livre os olhos e as narinas, também a boca.
  • Esperar aproximadamente cinco minutos; a soltar a máscara que se descola facilmente com o movimento da bochecha e da testa.




    Os alunos devem lavar o rosto, em seguida decorar ou pintar a máscara.

    Obs:os alunos foram organizados em duplas para compra do material(R$ 3,50).Após as orientações iniciais um aluno moldou a máscara no rosto do outro.

    Utilizamos as máscaras confeccionadas em atividade de descontração propondo um jogo dramático(dinâmica).

    Realizamos uma roda de conversa para refletirmos a presença da máscara no dia-a-dia das pessoas considerando o questionamento: "O que é viver usando máscaras". A partir da Dinâmica o "nó humano" iniciamos nossas reflexões(Aqui a palavra máscara empregada no sentido figurativo).




    Após essas atividades os alunos foram organizados em grupos para, através de dramatizações, representarem situações do cotidiano em que as pessoas costumam "usar máscaras" e quais as causas e consequências disso.
    Para as apresentações cada grupo produziu seu texto sobre um assunto que envolveu, suas idéias,sobre a máscara na sociedade.Algumas das temáticas propostas pelos estudantes:
    Tema: O dilema humano
    História das máscaras(recontada pelas máscaras)
    tema: Gravidez na adolescência(Adolescente é enganada pelo namorado fingido e engravida. No desespero encontra uma amiga sincera que lhe ajuda).
    Tema: A violência policial no Brasil e a máscara dos discursos na defesa do cidadão.
    Tema: traição conjugal
    Tema: a realidade do jeitinho brasileiro.
    Tema: As duas faces da vida
    Após a apresentações realizamos círculos de debate para ampliar a compreensão sobre os temas propostos nas apresentações.





















    Alguns alunos doaram as suas máscaras para as crianças da Creche (Projeto CEEG solidário) outros levaram para casa como objeto de decoração, outros guardaram para o carnaval. Se a atividade nos proporcionou momentos valiosos de descontração, reflexão, ação e mudança de atitude, nos proporcionou, também, algo muito mais valioso: ver o sorriso das crianças da Creche ao receberem as máscaras e com elas bricarem num jogo de interpretação e faz de conta que a viver é sempre estar feliz.



    Sugestão de música para trabalhar a atividade e tema "Máscara"
    Noite dos Mascarados
    Chico Buarque
    Composição: Chico Buarque
    - Quem é você?-
    Adivinha se gosta de mim
    Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim:
    - Quem é você, diga logo...
    - ...que eu quero saber o seu jogo
    - ...que eu quero morrer no seu bloco...
    - ...que eu quero me arder no seu fogo
    - Eu sou seresteiro, poeta e cantor-
    O meu tempo inteiro, só zombo do amor-
    Eu tenho um pandeiro
    - Só quero um violão
    - Eu nado em dinheiro
    - Não tenho um tostão...
    Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
    - Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar
    - Eu sou tão menina
    - Meu tempo passou
    - Eu sou colombina
    - Eu sou pierrô
    Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
    Amanhã tudo volta ao normal
    Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, deixa o dia raiar
    Que hoje eu sou da maneira que você me quer
    O que você pedir eu lhe dou
    Seja você quem for, seja o que Deus quiser
    Seja você quem for, seja o que Deus quiser
    Poesia para refletir e discutir o tema "Máscara"
    Autopsicografia
    Fernando Pessoa
    O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.
    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Bibliografia:Apostilhas POSITIVO.6ª série do Ensino Funadamental. Artes.p.16 e 17.

http://www.secrel.com.br/jpoesia/fpesso01.html


    sexta-feira, 2 de maio de 2008

    BLOG DO 2º "E" CEEG (Click)

    III BLOCO DE SIMULADOS CEEG 2008

    Gente ainda não estou com o gabarito. Gostaria muito de poder disponibilizá-lo em tempo. Só posso fazê-lo quando receber dos professores segunda-feira. Desculpas. Bençãos...

    Saúde da mulher

    O QUE VOCÊ SABE SOBRE O CÂNCER DE MAMA?
    Pierre-Auguste Renoir " Mulher amamentado"
    Pierre-Auguste Renoir "As grandes banhistas"
    ACESSE:

    Sertanejo: beato, cangaceiro, jagunço, vaqueiro...?

    03 DE MAIO DIA DO SERTANEJO
    O QUE FOI? O QUE É? O QUE QUER O SERTÃO?
    CANDIDO PORTINARI, "Criança Morta " 1944.

    No sertão nordestino brasileiro, a mistura de raças deu-se mais entre brancos e índios. O jesuíta, o vaqueiro e o bandeirante foram os primeiros habitantes brancos que migraram para a região. Deram origem aos tipos populares que compõem o sertão: o beato, o cangaceiro e o jagunço, estereotipados, muitas vezes, nas vestes características, nas tradições mais remotas, e no sentimento religioso.

    "Eu tenho orgulho de ser filha de Canudos! Tenho orgulho, mesmo! Me sinto feliz com essa palavra: Canudos não se rendeu ! Morreram todos, mas não se renderam!...(D. Zefinha).

    CANDIDO PORTINARI, "Os retirantes "1944.

    VOZES QUE NOS FALAM UM POUCO MAIS...

    Vaca Estrela e Boi Fubá
    Patativa do Assaré, do LP "A Terra é Naturá"


    Seu doutor me dê licença pra minha história contar.
    Hoje eu tô na terra estranha, é bem triste o meu penar.
    Mas já fui muito feliz vivendo no meu lugar.
    Eu tinha cavalo bom e gostava de campear.

    E todo dia aboiava na porteira do curral.

    Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê
    Vaca Estrela,ô ô ô ô Boi Fubá.
    Eu sou filho do Nordeste , não nego meu naturá.
    Mas uma seca medonha me tangeu de lá pra cá.
    Lá eu tinha o meu gadinho, num é bom nem imaginar,
    Minha linda Vaca Estrela e o meu belo Boi Fubá.
    Quando era de tardezinha eu começava a aboiar
    Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,ô ô ô ô Boi Fubá.
    Aquela seca medonha fez tudo se atrapalhar,
    Não nasceu capim no campo para o gado sustentar.
    O sertão esturricou, fez os açude secar.
    Morreu minha Vaca Estrela, já acabou meu Boi Fubá.
    Perdi tudo quanto tinha, nunca mais pude aboiar
    Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê

    Vaca Estrela,ô ô ô ô Boi Fubá.
    Hoje nas terra do sul, longe do torrão natá.
    Quando eu vejo em minha frente uma boiada passar,
    As água corre dos olho, começo logo a chorá.
    Lembro a minha Vaca Estrela e o meu lindo Boi Fubá.
    Com saudade do Nordeste, dá vontade de aboiar.
    Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê
    Vaca Estrela,ô ô ô ô Boi Fubá.

    Vozes da seca
    Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1953

    Seu dotô os nordestino
    Têm muita gratidão
    Pelo auxílio dos sulista
    Nessa seca do sertão
    Mas dotô uma esmola
    A um home qui é são
    Ou lhe mata de vergonha
    Ou vicia o cidadão

    É por isso que pidimo
    Proteção a vosmicê
    Home pur nóis escuído
    Para as rédia do poder
    Pois dotô dos vinte estado
    Temos oito sem chover
    Veja bem, quase a metade
    Do Brasil tá sem comer

    Dê serviço a nosso povo
    Encha os rio e barrages
    Dê comida a preço bom
    Não esqueça a açudage
    Livre assim nóis da esmola
    Que no fim dessa estiage
    Lhe pagamo inté os juros
    Sem gastar nossa corage

    Se o doutô fizer assim
    Salva o povo do sertão
    Se um dia a chuva vim
    Que riqueza pra nação
    Nunca mais nós pensa em seca
    Vai dar tudo nesse chão
    Cúmu vê, nosso destino
    Mecê tem na vossa mão

    "O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços do litoral. A sua aparência, entretanto, no primeiro lance de vista, revela o contrário(...). É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasimodo (...) é o homem permanentemente fatigado (...) Entretanto, toda essa aparência de cansaço ilude (...) No revés o homem transfigura-se . (...) e da figura vulgar do tabaréu canhestro reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias."(Trecho do livro "Os Sertões'" - Euclides da Cunha ).


    ACESSE:
    http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=23634
    http://www.geocities.com/Nashville/3907/cp_s_hist.htm
    http://www.tvcultura.com.br/aloescola/estudosbrasileiros/sertoes/sertoes2.htm
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Candido_Portinari
    http://www.avozdocidadao.com.br/detailAgendaCidadania.asp?ID=779

    VALE DO CATIMBAU

    PASSEIO/ PESQUISA NO VALE DO CATIMBAU

    O passeio/estudo foi realizado com as turmas dos primeiros anos, em forma de uma atividade interdisciplinar onde conteúdos de várias diciplinas foram apreendidos: arte rupestre, arte indígena, tribos de Pernambuco(Kapinawá); relevo, formações rochosas,fauna, flora, processo de datação;clima; contos da tradição oral; persnagens históricos da região, entre outroO Vale do Catimbau é um "Lugar ideal para se conhecer aprendendo, uma natureza composta de exuberantes formações primitivas. É o terceiro Sítio Arqueológico Indígena do país, onde foram encontradas evidências da passagem do homem primitivo.O lugar é deslumbrante. Cortado por dezenas de trilhas diferentes, onde em cada trilha a natureza nos reserva surpresas e elementos naturais os mais exóticos. O Vale do Catimbau é um misto de sítio arqueológico e parque de ecoturismo com muitos quilômetros quadrados de chapadões, vales, encostas, caatinga e matas. Suas formações geológicas apresentam os mais diversos tipos e cores de arenito. Datando mais de 100 milhões de anos, onde sua maior elevação registra-se 1.060 metros de altitude, na serra de Jerusalém. Dentro de seus 200 mil hectares de área, existem perto de duas mil cavernas e 28 cavernas-cemitérios conhecidas, tendo uma variedade de inscrições e pinturas rupestres em diversos sítios. É um lugar realmente encantador, vale a pena ser visitado.Encontra-se fósseis de animais selvagens e peixes também com datação de milhões de anos, em alguns locais existe areia movediça(lama gulosa) e barreiras coloridas com mais de 50 cores em arenito. Sua vegetação típica do semi-árido (Caatinga), apresenta curiosas e diversificadas espécimes, além das características do semi-árido que ocupa toda a região."(http://www.chapadoes.vilabol.uol.com.br/ As atividades de estudos geográficos foram coordenados pela professora Helena Chaves e Artes pela professora Perpétua.












    ESTUDOS DE ARTE

    Arte Rupestre é o nome que se dá ao tipo de arte mais antigo da história, baseado principalmente nas pinturas, desenhos ou representações artísticas gravadas nas paredes e tetos das cavernas. Esse tipo de arte teve seu início no período Paleolítico Superior, e as formas que o homem usava como material artístico eram ossos de animais, cerâmicas e pedras, além de fabricarem as tinturas através das folhas das árvores e do sangue de animais. Os desenhos representados nas cavernas eram figuras de grandes animais selvagens, a figura humana raramente era representada, sugerindo muitas vezes atividades como a caça, normalmente não eram feitos de forma naturalista, como nos desenhos de animais.

    O Vale abriga 23 sítios arqueológicos com grafismos rupestres já catalogados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, de acordo com pesquisas realizadas pelo arqueólogo Marcos Albuquerque, da Universidade Federal de Pernambuco, a presença humana na região é datada de seis mil anos.
    Entre os sítios arqueológicos do Vale, um dos mais importantes é o de Alcobaça, localizado a 20 km da sede do município de Buíque. Situado em um paredão rochoso, este sítio tem configuração de um anfiteatro, onde foram encontradas pinturas rupestres ocupando uma área de 50 metros de extensão por largura que varia de dois a três metros.

    Os grafismos, de acordo com estudos de Gislane Rocha, Fabiano Brito e Paulo Roberto Gouveia, foram feitos por diversos grupos étnicos que viveram na região em épocas diferentes e utilizaram várias técnicas de pintura.
    No Vale, ainda vivem remanescentes de tribos indígenas. E uma outra grande riqueza da região é a extensa reserva de vegetação típica de caatinga, característica do semi-árido nordestino. São pequenas árvores retorcidas, geralmente espinhosas, de aspecto seco, raízes muito desenvolvidas, grossas e penetrantes. Durante a estação seca, essas árvores perdem as folhas, para melhor resistir à estiagem, retomando seu verde logo com a primeira chuva.



    Um dos maiores entusiastas da importância do parque arqueológico é o geógrafo e pesquisador Josédio Gusmão, professor da Universidade Federal de Pernambuco, autor do livro “Aventura no Vale do Catimbau”. Assim ele descreve o Vale:
    O lugar é deslumbrante. Cortado por dezenas de trilhas diferentes, onde em cada trilha a natureza nos reserva surpresas e elementos naturais os mais exóticos. O Vale do Catimbau é um misto de sítio arqueológico e parque de ecoturismo com muitos quilômetros quadrados de chapadões, vales, encostas, caatinga e matas. Suas formações geológicas apresentam os mais diversos tipos e cores de arenito. Datando mais de 100 milhões de anos, onde sua maior elevação registra-se 1.060 metros de altitude, na serra de Jerusalém. Dentro de sua área, existem perto de duas mil cavernas e 28 cavernas-cemitérios conhecidas, tendo uma variedade de inscrições e pinturas rupestres em diversos sítios. É um lugar realmente encantador, vale a pena ser visitado.”



    “Ali encontramos fósseis de animais selvagens e peixes também com datação de milhões de anos, em alguns locais existe areia movediça (lama gulosa) e barreiras coloridas com mais de 50 cores em arenito. Sua vegetação típica do semi-árido (Caatinga), apresenta curiosas e diversificadas espécimes, além das características do semi-árido que ocupa toda a região.”


    Atualmente, várias empresas de turismo atuam na região, realizando passeios ecológicos e culturais no Vale do Catimbau.

    Após a visita ao Vale do Catimbau(atividade multidisciplinar) nossos alunos produziram textos descrevendo sua compreensão da experiência. Segue imagens e alguns desses textos:

    VALE DO CATIMBAU
    Amanda 1º “A”
    Há um lugar que fica entre os municípios de Buíque, Tupanatinga, Inajá e Ibimirim, esse lugar é um vale. Lugar de beleza espetacular e que quando Deus fez, colocou sua mão santa e abençoou. Seu território é de 62.300 hectares de pura harmonia, esplendor e exuberância. A vegetação é claro que é a caatinga, pois ela fica entre o sertão e o agreste do estado de Pernambuco, e seu clima é o semi-árido. Não é só a beleza que nos agrada, mas a gentileza e aconchego dos seus moradores. Esse lugar é rico em pedras com formatos imaginários como: pedra do cachorro, pedra da tartaruga, pedra dos namorados. Com tanta beleza junta vale à pena a visita. Aí está o meu recado. Aproveite, pois o lugar é nosso.




    AO VALE
    Girlaine Menezes-1º A
    Com aroma de pura liberdade
    A felicidade nos deixou saudades
    Onde o oceano um dia cobriu
    As passadas da natureza coloriu.
    Um canto de um passarinho
    UM assovio do vento O silêncio no relevo
    Parecendo um local de encantamento.
    Os ventos namoram as montanhas
    Que a todo tormento
    Está em paz.
    Que mostra que a natureza
    Nunca está tristonha
    Nos ensinando a importância
    Que a preservação faz."

    ALMAS APAIXONADAS
    Enny Ewerton 1º "A "
    No vale do Catimbau
    Almas perdidas se encontram
    Almas tristes se alegram
    Mas, em um dia de fúria
    A terra se rebelou.
    E uma grande explosão se firmou
    Os casais de almas
    Correram com medo
    Um buscou abraço nos braços do outro,
    E permaneceram a assistir
    Aquele lugar destruir.
    Mas, ao esmo tempo de via
    Em meio àquela grande tragédia
    Uma linda lua cor-de-anil
    Que igual nunca se viu.
    E os casais que até então
    Nunca haviam se separado.
    Tiveram que decidir.
    Entre se separar e se salvar,
    Ou ficar juntos até a morte.
    Eis a decisão:
    Decidiram se abraçar
    Pois não há nada mais bonito que o amor.
    E os casais apaixonados que um dia
    O mundo quis separar Estão lá até hoje,
    Para embelezar aquele lugar."





    VALE DO CATIMBAU
    Mateus Rocha 1º A
    È um paraíso,
    O tal vale do Catimbau
    Com suas maravilhas
    È um espetáculo natural

    A pedra do cachorro
    Da raça São Bernardo
    Falando não dá para explicar
    Mas quem vê fica encantado.

    Há muitas trilhas bonitas
    Lá no vale do Catimbau
    Depois do cansaço e esforço
    A visão é bem legal.

    E o casal de namorados
    Cada um se apaixonou
    Nem o tempo deixou esquecer
    E na rocha se eternizou.




    O OCEANO SECO

    Gisele Meneses

    Onde lá no sertão já foi mar
    Nos olhares dos caboclos
    Vejo orgulho desaguá.
    Eita terra abençoada por Deus
    Que eu num queria ter dado adeus.

    Si via nos rostim dos visitantis curioso
    Os zoim briá
    Mas tombem era de si admirá
    Afinal quem aqui ousa me contrariá?
    Agora sobre o vale do Catimbau
    Eu vô falar.

    Ixi, me perdoa 1º A
    Mas aquela beleza
    Num dá num pra ispricá,
    Oi, oi, Maria Soares só pruquê você mando
    Eu vô me isforçar.
    Pra vê se ocê consegue imaginá.

    Mas, afiná, eu sobe que ocê já foi lá
    Mas mermo assim tente meu raciocino acumpanhá
    É... né intonve vamu lá.

    É tanta rocha deferente
    Nuns formato que às vez
    Parece cum a gente.
    Mato seco, animal perfeito
    Até lugar de índio morar
    Uma tribo Kapinwá,
    Um vilarejo.

    Tem uma rocha feito um cachorro
    Ota pareci um camelo
    Tem matim rasteiro
    Um véim-jovi tão ingrassadim
    Uma alegria danada,
    Parece tampa de panela toda suada.
    Ele pula, ele samba
    Ele canta e grita...
    No fim da histora
    Só alegria ele nos dá
    Escultor Zé Bizerra
    É assim que ele se chama

    Tem uma ta de pintura rupestre
    Que disseram
    Que os homes da caverna
    Pintaram com tinta que não era guaxi
    Eles desenharu ....muita coisa bunita.

    Eu fico só a imaginá
    Aquele mundão todo coberto de mar
    O oceano foi imbora
    Atrás da água a procurar
    Aposto que otas água conseguiu encontrá

    Bom eu não mais ispricá
    Vocês tudim já foro lá, bisoiá.



    A ARTE DE ZÉ BEZERRA

    Voltando dos Breus a caminho do povoado do Catimbau, uma figura pitoresca e carismática fez do quintal da sua casa um espaço artístico para expor suas obras. Zé Bezerra, 54 anos, “cabra da roça” e pequeno agricultor com rosto vincado pelo tempo, a partir de 2002 virou artesão e passou a transformar árvores caídas, pedaços de troncos e raízes em pura arte. Suas obras retratam as mais diversas figuras, desde cabeças de gente, carros de boi, animais, enfim tudo que faz parte do universo sertanejo. Para Zé Bezerra, a forma e o destino de suas obras são decididos na hora, quando põe nas mãos aquele pedaço de madeira, vem na sua mente o que deve ser feito. O resultado é fabuloso, as peças parecem querer dizer alguma coisa aos visitantes. O artesão tira o sustento da família, a mulher e 5 filhos, vendendo as peças aos turistas e plantando uma coisa aqui outra ali. O filho mais velho já aprendeu o ofício com o pai e possui estilo próprio, faz pequenas cabeças com riqueza de detalhes. Zé Bezerra além do seu dom artístico ainda dá um show em seu instrumento, uma espécie de berimbau que ele mesmo confeccionou, imperdível.
















    A ARTE DO BARRO NAS CASAS DE TAIPA

    A casa de taipa nasce do chão, vem da natureza, é construída com o material que está ali, a terra e as árvores .A oficina proposta além do prazer da atividade prática, do conhecimento histórico compreendido teve como objetivo desenvolver a compreensão cultural dessa atividade no Brasil visando superar preconceitos historicamente construídos sobre a casa de taipa e seus moradores apontando para a discussão sobre o sentido de manter viva a sabedoria popular da taipa.
    A Taipa em `Pau-a-Pique' é um processo milenar de construção. Os Portugueses trouxeram-na para o Brasil, quando só havia as ocas dos índios, e a difundiram de norte a sul do país. Tornou-se assim uma das manifestações mais tradicionais de nossa arquitetura, e teve seu período de excelência durante o ciclo do ouro em cidades como Ouro Preto, Congonhas e Diamantina.
    TÉCNICA
    É o barro armado com madeira. Consiste numa estrutura de ripas de madeira ou bambu, formando um gradeamento, cujos vazios são preenchidos com barro amassado.


    DECLÍNIO
    técnica vem sendo conservada pela tradição oral, mantendo seu conhecimento no meio rural, com perdas de suas características, qualidades e possibilidades futuras. O preconceito somado à industrialização da construção civil determinaram o declínio deste tradicional processo de construção, que foi definitivamente atingido pela má escolha dos materiais, e no progressivo abandono e esquecimento das práticas de sua feitura.




    DISCRIMINAÇÃO
    Relegada como técnica primitiva, desprezada não só pelas elites mas até mesmo pelas camadas populares, este tipo de construção ficou ligado à miséria e traz embutido um caráter de moradia provisória, um abrigo passageiro contra a opressão da natureza
    PRODUTO CULTURAL

    A casa de taipa é um produto cultural, síntese de histórias e conhecimentos acumulados, resultado da reação necessária e suficiente do homem às hostilidades do meio em que vive e do material que tem a sua disposição.
    No vale do Catimbau a Casa de taipa de Zé Bezerra é uma verdadeira obra de arte.
    Aproveitando os conhecimentos e experiências adquiridas no Vale do Catimbau introduzimos o conteúdo Arte com a chegada dos portugueses no Brasil. Inicialmente destacamos a Casa de taipa enquanto modelo de arquitetura trazida pelos portugueses. As casas de taipa se fazem presentes no caminho ao vale do catimbau. Durante o retorno tivemos a oportunidade de observar uma casa de taipa sendo construída por uma família para uma filha que ia casar. Ouvimos as histórias da família inclusive a da dança do côco para apilar o barro do chão da casa, segundp a família grande é a festança. Ajudamos e/ou atrapalhamos um pouco. A experiência foi muito legal e produtiva, a partir dela os alunos sentiram-se motivos a construir seus projetos de casa de taipa.